Você sabe o que são imóveis retomados?

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As cinco maiores instituições financeiras do País possuem entre 90 mil e 100 mil imóveis retomados e os disponibilizam em leilões

Diante da crise desencadeada pela pandemia – que fez com que o número de desempregados chegasse a 14 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) –, as parcelas das operações de crédito passaram a ficar em segundo plano para os brasileiros, aumentando assim o número de imóveis recuperados pelos bancos, ou seja, que foram retomados por dívidas.

Para dar uma ideia melhor deste cenário, as cinco maiores instituições financeiras do País — Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Caixa e Santander — possuem entre 90 mil e 100 mil imóveis retomados. Esse número equivale a 74% das 121,5 mil propriedades novas e prontas para a venda no Brasil.

Além disso, de acordo com dados do mapeamento realizado pela Resale e BTG Pactual sobre a situação do mercado de imóveis retomados no País, os valores desses patrimônios, conhecidos como Bens Não de Uso (BNDU) juntos corresponderam, em 2020, a R$ 18,8 bilhões.

Os dados compilados pela Resale mostram ainda que, ao final do último trimestre de 2020, mais da metade dos imóveis disponíveis, aproximadamente 69%, eram casas e 15% apartamentos. A outra parte deste grupo está em propriedades como loteamentos e salas comerciais. Desse total, 88% ainda estão ocupados pelo ex-mutuário ou terceiros, enquanto apenas 12% constam como desocupados pelos bancos.

Como acontece?

Apesar do financiamento ser um meio vantajoso para quem não tem o dinheiro à vista para adquirir uma propriedade, é comum que as pessoas tenham medo de atrasar algumas parcelas e perder não só o patrimônio, mas também o valor investido.

Ao contrário do que muitos pensam, não é de interesse das instituições financeiras reaver o bem. Isso porque os custos de financiamento e leilões de imóveis costumam ser altos e os bancos preferem negociar a ter que pagar.

Entretanto, é indispensável ficar atento às cláusulas do contrato, já que, em geral, depois de 60 dias de atraso, a instituição pode solicitar a retomada da unidade, embora, primeiro, seja preferível (não obrigatório) enviar uma carta ao devedor, tentando negociar a dívida. O processo de retomada do imóvel costuma durar meses. Os empréstimos com alienação fiduciária, por exemplo, tendem a levar pelo menos oito meses.

Como evitar?

O primeiro passo para prevenir que o patrimônio seja retomado pelo banco começa antes mesmo de contratar uma linha de crédito. Ou seja, assim que decidir por um financiamento imobiliário, é preciso fazer o planejamento e a simulação para entender se é possível arcar com todas as taxas de juros e prestações.

Com a simulação, é possível perceber se há uma folga no orçamento, permitindo que o mutuário se previna de algumas situações inesperadas, como o desemprego, por exemplo. Essa reserva é importante para que a dívida não aumente enquanto o comprador se estabiliza.

Além disso, o proprietário de um apartamento que não pagar suas dívidas com o condomínio em até três dias após determinação do juiz poderá ter seu bem penhorado, além de sua conta bancária bloqueada.

Vale a pena investir nesse tipo de imóvel?

Imóveis retomados costumam ser vendidos novamente em leilões como um meio de o banco recuperar o valor que foi cedido na operação de crédito. Isso quer dizer que comprar um apartamento retomado pela Caixa, por exemplo, é vantajoso para aqueles que buscam um imóvel com preços mais baixos, já que as instituições financeiras costumam dar grandes descontos, geralmente entre 40% e 70%. Importante, apenas, tomar alguns cuidados antes de fechar a negociação.

Fonte: Estadão

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