Vale a pena comprar terreno para investir?

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Considerado um investimento de longo prazo, a aquisição de lotes conquista ainda mais interessados durante a pandemia

Com a maior importância que a moradia ganhou no cotidiano das pessoas durante a quarentena, até mesmo a busca por terrenos tem aumentado acima da expectativa. Segundo dados da OLX, plataforma de compra e venda online, a procura pela modalidade cresceu 52% no terceiro trimestre de 2020, em relação ao mesmo período de 2019.

Outro levantamento do Centro de Pesquisas e Análise da Informação do Secovi Rio (Cepai), com base no recolhimento do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), no primeiro trimestre de 2021 houve crescimento de 40,5% na negociação de descampados no Rio de Janeiro, na comparação com o mesmo período de 2020.

“O segmento está em evidência por dois motivos: os baixos juros e a nova percepção de morar que a pandemia trouxe. Esse casamento despertou a atenção do cliente final e do investidor interessados na aquisição de casas e lotes”, avalia Eric Labes, CEO da Start Investimentos.

Vale a pena investir?

Diante disso, Gustavo Feola, engenheiro civil e corretor especializado em terrenos, aponta que espaços abertos sempre são bons ativos e vale o investimento. “Escutamos desde muito tempo que comprar terras sempre é bom e na minha avaliação sempre será, principalmente em cidades onde já não conseguimos encontrar tanto esta matéria-prima valiosa do mercado imobiliário. Muitas pessoas pensam em áreas grandes quando falamos em comprar terrenos, mas não necessariamente é isso. Tenho visto muito mercado de áreas de 300 metros quadrados (m²) até 600 m² em regiões bem localizadas com bom zoneamento”, avalia.

O especialista recomenda que, antes de comprar um terreno, é importante saber sua vocação e fazer o Estudo de Viabilidade Técnica e Legal (EVTL) para poder saber se ali pode ser aprovado e construído um comércio ou um edifício, por exemplo.

“Existem muitos investidores que não são bancos ou fundos, de menor porte, que adquirem descampados para fazerem permutas com construtores de sobrados em regiões mais periféricas ou até mesmo de prédios maiores e ganham além da valorização do imóvel em si, na própria operação negocial da incorporação. O histórico de terrenos é que existe a tendência de se valorizar. Preste atenção no vetor de crescimento de sua cidade ou mesmo nas tendências da região onde você habita ou trabalha. Veja o que acontece com o passar dos anos. As cidades vão crescendo e novas edificações vão aparecendo”, afirma ele.

Gustavo conta ainda que os terrenos considerados bons investimentos estão geralmente atrelados à localização. “Sem dúvida este é o principal fator, tanto para investir em construção futura ou até imediata, para uso próprio. Por exemplo: um médico ou advogado vai montar seu negócio na região que costuma atender ou já conhece.”

“Claro que muitas pessoas buscam espaços diversos, em vias secundárias principalmente devido ao preço. Outras pessoas buscam locais com problemas jurídicos e pagam um valor menor para resolver a documentação ou outros casos de áreas com problemas de topografia. Talvez o preço do terreno seja menor, mas e o custo da obra? Será que vai compensar?”, adverte Gustavo.

Tudo tem que ser bem pensado e é importante contar sempre com um bom profissional como um corretor, advogado, engenheiro e arquiteto para ajudar na avaliação. “Já vi muita gente comprar espaços abertos pequenos e depois não conseguir aprovar para o objetivo que queria naquele espaço. Questões de legislações impediram. Por isso, cuidado com o barato que sai caro.”

Veja outras dicas para ter segurança da aquisição

O advogado Leandro Sender e o gerente Comercial do Holiday Park Land, Bruno Mendes, fazem ainda outras recomendações para quem deseja investir no segmento. Confira:

  • Verifique a documentação do terreno e dos proprietários para evitar comprar um lote que não esteja com a devida legalização ou com apontamentos que impeçam a alienação. Vale lembrar que se o proprietário quiser vender o local com a intenção de evitar penhora ou pagamento de algum credor, isso pode vir a ser considerado fraude e pode inviabilizar a venda.
  • Analise qual o tipo de imóvel que será construído no terreno. Caso o objetivo da compra seja para fazer uma incorporação, ou seja, para construir um empreendimento, é preciso observar o Plano Diretor da cidade, qual o gabarito permitido, além de analisar se o solo é apropriado, pois, muitas vezes, ele impede a construção da casa. Por isso, é fundamental contar com o apoio de um engenheiro ou arquiteto.
  • Se o terreno estiver em um loteamento, a orientação é procurar saber se ele é regular, pois existem muitos loteamentos clandestinos e isso pode dar muita dor de cabeça para o futuro proprietário do espaço.
  • Analise a forma de pagamento: à vista, financiado pelo banco ou financiado pela construtora.
  • Se a opção for financiar pela construtora, visite o território, veja se o loteamento está 100% concluído, se está regularizado e o terreno com a matrícula individualizada.
  • Observe o histórico da empresa e procure saber se ela tem outros empreendimentos entregues.
  • Atenção com a região escolhida. A valorização acompanha o local do descampado.
  • Fique atento aos serviços que já estão disponíveis no bairro como energia, água e gás, além da parte de saneamento básico.
  • E por fim, como também alerta Gustavo Feola, conte com a ajuda de um arquiteto ou engenheiro para desenvolver o projeto da casa. Vale lembrar que para a construção é necessário o alvará que é expedido pela prefeitura local.

Fonte: Estadão

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