Parte da família, pets ganham espaço próprio nos novos condomínios residenciais

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Com brinquedos e área para banho e tosa, espaços permitem que dono se divirta com o pet sem precisar sair de casa

Os bichos de estimação foram definitivamente alçados a membros da família contemporânea. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), hoje existem mais de 140 milhões de animais de companhia no Brasil, dos quais 55 milhões são cachorros e 25 milhões são gatos.

O País é considerado o segundo maior mercado pet (termo em inglês para animais de estimação) do planeta, com faturamento acima de R$ 40 bilhões em 2020, segundo o Instituto Pet Brasil (IPB).

Sensíveis a essa mudança, construtoras e incorporadoras estão trazendo os pets para o centro de seus novos empreendimentos. É o caso da Corpal, que possui um espaço para os animais (ou “pet place”) em quatro deles – e pretende levar isso para todos os projetos futuros. “O setor da construção civil está de olho nessa demanda e o pet place nos condomínios já é um requisito para muitos moradores”, diz Fernando Fuziy, presidente da incorporadora.

Inteiramente projetado para os bichos de estimação, o pet place não é só uma área com meia dúzia de canteiros em que os moradores deixam a turma de quatro patas solta. O ambiente é todo equipado para que os pets realmente se exercitem, com funcionalidades como circuito de agilidade, por exemplo, e a vantagem de as pessoas não precisarem ir para a rua para que seus bichos gastem sua dose diária de energia.

A questão da segurança foi um dos principais pontos considerados pela SKR, que já entregou mais de 3 mil unidades na capital paulista. A ideia é que o dono possa interagir livremente com seu bichinho dentro das próprias dependências do condomínio. Nos empreendimentos Panorama e Loefgren, recém-lançados pela construtora, o pet place está previsto desde a concepção.

“Além dos itens tradicionais, os espaços pet já figuram no top 10 da lista de desejos das pessoas”, explica João Leonardo Castro, diretor de desenvolvimento e gestão de produtos da construtora, que realiza uma pesquisa de mercado a cada novo empreendimento para captar as demandas.

Lucas Araujo, diretor de marketing e inteligência de mercado da Trisul, diz que, na parte de setorização dos projetos, quando se decide a alocação das áreas comuns, o pet place passou a aparecer sempre como prioridade. “Em São Paulo, antes tinham alguns bairros que se destacavam mais quanto a essa demanda, como Moema e Aclimação. De cinco anos para cá, virou uma coisa comum em todos os bairros.”

Avanço

Em Goiás, onde mais da metade dos domicílios tem bichos de estimação (51,7%, segundo o IBGE), as empresas do setor também os assumiram como moradores. A City Soluções Urbanas e a O.M.

Incorporadora, de Goiânia, decidiram lançar seu primeiro empreendimento com pet place completo – o Hub Compact Life – após pesquisas com os clientes. O levantamento mostrou que um porcentual cada vez maior de pessoas com pets em casa gostaria de mais facilidades para cuidar deles.

“O pet place é uma tendência que veio para ficar, pois reflete um hábito cada vez mais consolidado na sociedade atual, que é o de ter muitos animais de estimação”, diz João Gabriel Tomé, presidente da City Soluções Urbanas. “Assim como o ‘delivery room’, que é aquele espaço ao lado da guarita para acomodar entregas e encomendas dos moradores, o pet place também se tornou um item de série para os futuros lançamentos.”

Outra que investiu na questão é a Consciente Construtora. No WTC Residence, integrante do complexo de uso misto World Trade Center em Goiânia, a empresa está construindo um “pet shower”, espaço para banho, tosas e cuidados com os animais de estimação, além de contar com o maior pet place da cidade, com 170 m² de extensão.

Com 50% das unidades vendidas em apenas 24 horas no momento do lançamento, em maio, o carioca Sou+ Icaraí, projeto do Grupo União (parceria das incorporadoras Habitare e União Realizações), tem uma proposta integralmente pet friendly. “Nós percebemos essa tendência não só no Rio, mas em outros mercados, como São Paulo e Minas”, conta a diretora de operações Paula Barbosa.

No Sou+, o pet não é apenas um convidado, mas um morador, segundo ela. Em todas as áreas comuns eles são bem-vindos e existem vários “points bons pra cachorro”, onde as pessoas coletam saquinhos para recolher os dejetos. “Além disso, temos uma área de lazer 100% voltada para eles, um ‘parcão’ com diversos brinquedos e até piscininhas”, diz. O empreendimento tem também um pet care para os condôminos que quiserem dar banho, tosar e cortar as unhas do bichinho, com todos os equipamentos de higiene necessários.

Paula Barbosa destaca ainda que boa parte dos futuros moradores do Sou+ que têm pets não planejam filhos por agora. “Lá atrás, quando pensamos no projeto, vimos o nascimento de um novo conceito de felicidade, baseado em conexões, em ser e não ter, em momentos e experiências, e dentro disso vimos como os pets vêm assumindo um papel cada vez mais importante dentro dessa nova vida moderna”, diz. “Hoje eles são os novos filhos, não só fazem parte da família como viraram a família em si.”

Fonte: Estadão

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