Caixa reduz os juros de financiamento habitacional

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Nova taxa deve tornar 927 mil famílias elegíveis para financiamento; a redução de 0,4% na taxa representa aumento de 6% no poder de compra de um imóvel

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, anunciou dia 16 de setembro a redução da taxa de juros para o financiamento imobiliário: 2,95% ao ano atrelada à poupança. Guimarães explica que a redução é possível porque a Caixa tem uma rentabilidade muito maior. “A Selic no patamar que está hoje te dá um ganho muito grande, porque a nossa captação, tirando a poupança, é 70%, 80% do CDI. A gente não capta 100% porque tem o spread. Logo, quanto maior a Selic, maior o meu ganho, não é linear, mas eu tenho uma gordura.” A nova prática passa a valer no mês de outubro.

A Caixa vai no sentido inverso ao do mercado, já que a taxa Selic passou de 2% ano em janeiro deste ano para 5,25%. O Bradesco, por exemplo, oferece financiamento imobiliário com taxa de juros a 2,99%. Já o Itaú reduziu sua taxa de 3,45% para os mesmos 2,99%. Guimarães ressaltou ainda a importância de conhecer o Brasil e a realidade das pessoas, pensando na preservação das instituições que oferecem crédito. “Nenhum banco consegue fazer o que a Caixa faz, em especial, na imobiliária para os mais carentes”, afirma.

A live feita pelas redes sociais contou com a presença do Luiz Antonio França, presidente da Abrainc, que fez a abertura do evento Perspectivas do mercado imobiliário e resultados de habitação, Carlos Henrique Passos Presidente Comissão de Habitação de Interesse Social (CBIC), Empresário e Presidente do Conselho da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias, Rubens Menin.

Mais acesso ao crédito

Em entrevista ao Estadão Imóveis, Luiz Antônio França explicou como a nova taxa anunciada pela Caixa terá impacto de 6% no poder de compra do consumidor. “Com a taxa anterior, se o cliente fosse comprar um imóvel de 300 mil reais, os bancos financiariam 80% do imóvel. O comprador teria que emprestar R$ 240 mil reais. Antes, ele teria que ter uma renda de 4.400 reais. Hoje, com a redução, a renda seria aprovada a partir de 4.100,00″, explica França. Segundo levantamento da Abrainc, essa redução irá acrescentar em 7% no número de famílias com acesso ao crédito imobiliário.

França explica ainda que a nova taxa é para um público totalmente fora do Programa do governo Casa Verde e Amarela. “O programa já tem uma taxa bastante adequada para que o cliente de baixa renda consiga comprar a sua casa”, afirma. O governo anunciou mudanças no programa habitacional, com corte de juros e ampliação no teto do valor de imóveis para financiamento, substituindo o Minha Casa Minha Vida.

Todas famílias com renda de até R$ 2 mil por mês, interessados em financiar um imóvel, terão a mesma taxa de juros. Nas regiões Norte e Nordeste terá taxa de 4,25% de juros no financiamento para cotistas e 4,75% para quem não é cotista. Já na região Centro-Oeste, Sul e Sudeste, a taxa será 4,5% ao ano para cotistas e 4,75% para não cotistas.

“Acredito que teremos uma estabilização, a inflação deve começar a ceder, sem dúvida nenhuma. A gente tá vendo esse pico de inflação não só no Brasil, mas em vários outros países do mundo, é um movimento de desordenamento das cadeias produtivas. Isso deve ter uma acomodação e a gente volta ao ritmo de vida normal”, comenta. “Assim que a inflação estiver sob controle, veremos o mercado voltando a patamares que justificam o crescimento da economia brasileira pós-pandemia”, conclui.

Líder do mercado

A Caixa Econômica Federal atingiu 300 bilhões em financiamento, com R$164,2 bilhões de recursos aplicados no Programa Casa Verde e Amarela, considerando a gestão atual, em janeiro de 2019. O banco possui participação de mais de dois terços do mercado, dispondo de mais de 534 milhões em crédito imobiliário, com recorde de contratação no mês de agosto com R$14,01 bilhão, com crescimento de 33,3% comparado ao ano anterior.

Fonte: Estadão

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