Casas sustentáveis: o que mudar desde a construção até a mobília

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Medidas para se encaminhar nesta direção são variadas e, às vezes, mais simples do que se espera

Mudanças climáticas, crise hídrica, aumento na conta de energia, motivos não faltam para começar a pensar em uma forma de morar mais sustentável. As medidas para se encaminhar nesta direção são variadas e, às vezes, mais simples do que se espera.

Uma maior adaptação ao ambiente é uma das peças fundamentais nesta questão, com o melhor aproveitamento dos recursos naturais, da incidência solar ao vento. A prioridade de materiais de menor impacto, recicláveis e reutilizados/reutilizáveis também vai do projeto à mobília.

Em casa

Adaptações aliam sustentabilidade e conforto térmico em ambientes residenciais:

Iluminação: Lâmpadas mais eficientes, como as de LED, gastam menos energia no período noturno.

Ventilação cruzada: Janelas em lados opostos permitem melhor circulação do ar.

Vegetação: Presença de plantas dentro e fora da residência ajudam conter o aquecimento.

Móveis: Opções de materiais reutilizados evitam maior geração de lixo.

Um termo relacionado ao assunto e que tem sido difundido nos últimos anos é o “greenwashing” (“lavagem verde”, em inglês). Ele significa dar a aparência de algo sustentável para algo que não o é. Além disso, também há propagação de soluções que, por vezes, não são as mais adequadas.

O consultor ambiental Luiz Henrique Ferreira, CEO da Inovatech Engenharia, dá um exemplo prático: implantar um sistema de irrigação do jardim com água de reúso. A medida pode ser, sim, sustentável, porém teria ainda menor impacto e praticidade se as plantas fossem adaptadas ao ambiente e precisassem de pouco ou nenhum tratamento automatizado.

“Uma grama esmeralda consome muito mais água que uma grama amendoim, assim como uma jabuticabeira consome muito mais que um limoeiro”, compara.
O caso também demonstra que a avaliação das características do ambiente é um ponto fundamental neste tema, a fim de obter maior eficiência e reduzir a necessidade de manutenções e novos investimentos. “Percebo que ainda há uma falta de conhecimento muito grande sobre o tema”, comenta. “Não existe receita de bolo, cada projeto é um projeto.”

Ferreira comenta que alguns recursos tecnológicos podem contribuir em projetos, como a internet das coisas para o monitoramento de vazamentos, por exemplo, porém não são essenciais. “Confundir sustentabilidade com tecnologia também é um exagero, ela ajuda. Assim como a cor da fachada pode gerar um passivo de consumo de energia para a climatização.”

Professora do Instituto Federal Fluminense, a arquiteta Paolla Clayr considera ainda haver uma visão de que a sustentabilidade é algo difícil de ser aplicado na prática, distante. Ela aponta que o primeiro aspecto é enxergar uma construção como um ecossistema, interligado às características de onde está, climáticas, de solo, de vizinhança, etc.

Utilizar o sol e o vento a favor

A incidência solar, o vento, a incidência de chuva, o relevo e outros são elementos que podem ser utilizados a favor da sustentabilidade, destaca a arquiteta Paolla Clayr. Na pandemia, por exemplo, a contribuição da ventilação cruzada (que atravessa ambientes) ficou evidente por dificultar a disseminação da covid-19, mas também pode contribuir na troca de calor.

Fonte: Estadão

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