Apesar dos seguidos aumentos nos juros, mercado está otimista

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O ano deve fechar com pelo menos R$ 195 bilhões de crédito imobiliário concedido, um novo recorde histórico

A alta dos juros para tentar frear a inflação veio para ficar pelo menos até o primeiro trimestre de 2022, afirmam os economistas. Com isso, as taxas do crédito imobiliário, sempre atreladas à poupança, também vão subir de patamar. Apesar do impacto negativo deste processo econômico sobre a venda de imóveis, não há sinais de pessimismo no horizonte, como ficou nítido durante os debates de mais uma edição do Summit Imobiliário Estadão.

“Influencia (a subida dos juros no setor), claro. Mas não estamos assustados. Vamos ter um crescimento mais flat, mas ele vai continuar a ocorrer”, afirma Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP. De acordo com o estudioso do mercado imobiliário, mesmo com os juros do crédito mais altos, as taxas anuais não devem passar dos dois dígitos.

“Torço para que isso não volte”, diz Petrucci, lembrando que o brasileiro, no passado, chegou a ficar acostumado com taxas efetivas de juros imobiliários na casa dos 12%.

A gangorra entre juros e concessão de crédito, totalmente desequilibrada a favor do consumidor nos últimos meses, pode até migrar um pouco mais para o meio, mas nada que faça o sinal ser invertido totalmente. A não ser que as condições econômicas se deteriorem ainda mais. “Vamos continuar na mesma toada, mas não tão forte”, afirma Cristiane Portella, presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Os números do setor para 2021, até agora, são vigorosos. Pelas estimativas da instituição, o ano deve fechar com R$ 195 bilhões de crédito imobiliário concedido, o que vai configurar um novo recorde histórico.

Em setembro, os dados da Abecip mostraram que os financiamentos imobiliários com recursos das cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) atingiram R$ 17,85 bilhões. O montante foi 15% inferior ao recorde mensal de R$ 21 bilhões observado em agosto, mas registrou alta de 38,2% na comparação com setembro de 2020. “O crescimento tem sido muito significativo. Para o ano que vem, apesar da desaceleração, devemos registrar um crescimento na casa dos 10%”, estima Cristiane. Olhar para a taxa de juros de longo prazo, entre 5 e 10 anos, que está na casa dos 10%, também é importante segundo a representante da Abecip, quando se fala de financiamentos imobiliários, que podem durar até 35 anos. “É natural que novas correções sejam feitas (nas taxas de juros imobiliárias)”, explica.

Macroeconomia

Parte do cenário previsto para o ano que vem vai ser creditado às incertezas macroeconômicas, explica Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter. “Tem muita coisa para acontecer, mas em um cenário base podemos falar em uma Selic para 2022 entre 9% e 10%.”

A inadimplência baixa, algo que é histórico no Brasil, e as novas regras de segurança jurídica que permitem uma retomada rápida do imóvel quando não se consegue mais pagar o financiamento, também são forças motrizes interessantes para o setor. Neste contexto, o otimismo também está presente na análise de José Ramos Rocha, diretor executivo do Bradesco. “As taxas de crédito não devem atingir os dois dígitos em 2022 e isso é importante em termos de efeito psicológico para o investidor. Não vamos manter as taxas de crescimento deste ano, mas os números serão muito positivos”, afirma o executivo.

Retomada

  • 96,3% é a alta do crédito imobiliário até setembro deste ano;
  • R$ 154,69 bi foi o valor financiado até setembro ante a igual período do ano passado;
  • R$ 199,86 bi foi o montante financiado nos 12 meses compreendidos entre outubro de 2020 e setembro de 2021;
  • 73,8 mil imóveis foram financiados em setembro de 2021, nas modalidades de aquisição e construção
  • 75,6% foi a alta no mês de setembro de imóveis financiados ante o mesmo mês do ano passado;
  • 810,97 mil foi o número de unidades financiadas com recursos da poupança, no período de 12 meses, entre outubro de 2020 e setembro de 2021, alta de 119,6% ante o período anterior.

Fonte: Estadão

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