Consórcios imobiliários crescem em 2021 e viram alternativa de financiamento

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A modalidade ganha adeptos por oferecer taxas bem inferiores às do financiamento comum; especialista em finanças comenta prós e contras para quem quer adquirir um imóvel

Os consórcios imobiliários ganharam força este ano. Segundo dados da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (Abac), de janeiro a outubro foram comercializadas 411,47 mil novas cotas de imóveis, somando R$ 76,03 bilhões em créditos – um crescimento de 45,5% em relação ao mesmo período de 2020. Só no mês de outubro, a alta nas adesões foi de 39%. Houve ainda um avanço de 10,7% no acumulado de consorciados contemplados e de 16,7% nos créditos concedidos.

O aumento não é apenas pontual. Se olharmos para os últimos 10 anos, os dados mostram que a modalidade, na qual pessoas interessadas em adquirir um imóvel se juntam em um autofinanciamento, contribuindo mensalmente para obter uma carta de crédito por sorteio ou lance, de fato vem atraindo mais consumidores. Na comparação entre 2021 e 2012, o número de adesões acumulado de janeiro a outubro cresceu 156,4%. Neste ano, o total de consorciados atingiu a marca de mais de um milhão (56% a mais do que havia em 2012).

Totalmente digital

Para Marcelo Kogut, fundador do consórcio digital Mycon, as principais vantagens do produto são a agilidade na contratação e as taxas fixas mais baixas. Ele afirma que hoje, ao fechar um contrato com a fintech, o cliente paga uma taxa total fixa de 9,99%. No caso de consórcio imobiliário em 240 parcelas, a taxa anual é de somente 0,5% ao ano. “Essa taxa é cerca de 50% da praticada pelos consórcios dos bancos que atuam no setor”, afirma Kogut. Segundo ele, neste ano a fintech de consórcio digital conquistou quase 7 mil novos clientes no setor de imóveis, somando mais de R$ 1,3 bilhão em créditos comercializados.

Um dos diferenciais da empresa, criada no início de 2020, é que o processo de contratação é todo online, com acompanhamento da equipe de atendimento. “O Mycon eliminou a necessidade de intermediários comissionados, acabando com uma estrutura pesada e ultrapassada que só aumentava os custos para os clientes”, diz Kogut. Com a modernização, ele fala que o consórcio conseguiu se firmar como alternativa de acesso ao crédito para uma geração mais jovem, que hoje representa 60% da base de clientes.

Outro atrativo, segundo o empresário, é o tempo menor da contemplação do crédito. “Não há como estimar um tempo médio, mas as chances no Mycon são bem grandes. Enquanto um banco oferece grupos de até 4 mil participantes, diminuindo as possibilidades de contemplações mensais por sorteio, aqui limitamos a quantidade de participantes a 990 por grupo. Ou seja, o consorciado tem até 4 vezes mais chances de ser contemplado por sorteio do que em um banco”, afirma.

De R$ 100 mil a R$ 1 milhão

Com 30 anos de trajetória e atuação nacional, a administradora de consórcio Ademicon também vem batendo recorde de vendas, depois de passar por um processo de modernização que incluiu a adoção de novas tecnologias e práticas de governança. De janeiro a outubro, a empresa comercializou R$ 4,8 bilhões de créditos no consórcio de imóveis – um crescimento de 41,8% em relação ao mesmo período de 2020. Atualmente são R$ 11,9 bilhões de créditos ativos, representando 72,41% do total administrado pela empresa, que também atua nos segmentos de veículos e serviços.

Os valores de crédito em cotas únicas começam em R$ 100 mil e chegam a R$ 1 milhão, mas não existe limite de contratação, segundo a Ademicon. Eles atendem a todos os tamanhos de projeto, de acordo com o perfil do cliente. Também disponibilizam diferentes tipos de lance, como lances fixos na faixa de 30% e lances-fidelidade, para consorciados que mantêm os pagamentos em dia por determinado período consecutivo, de acordo com as regras de cada grupo.

Planejamento financeiro

Além de as taxas de administração praticadas pelos consórcios serem mais baixas em relação às do financiamento imobiliário, outra vantagem é que a modalidade ajuda no planejamento financeiro, de acordo com o consultor Ricardo Hiraki, diretor da fintech de educação financeira Plano. “Quando a gente compra um consórcio, ele gera um fator de disciplina. A pessoa acaba tendo o compromisso de pagar o valor mensal e dessa forma começa a produzir patrimônio, que é o quanto ela está amortizando no pagamento da carta de crédito”, diz Hiraki.

Esse formato de compra, no entanto, não é vantajoso para todos os perfis. “Quem tem um perfil investidor, que é uma pessoa já organizada, que produz patrimônio, naturalmente não consegue enxergar o consórcio como algo interessante. Para ela faz muito mais sentido investir em aplicações financeiras e comprar um imóvel no futuro”, diz o especialista. “Mas tem que lembrar que produzir patrimônio requer muito planejamento, educação financeira e disciplina, coisa que 90% das pessoas no País não têm, por isso o consórcio é um produto que tem muito bom fit e atende bem ao brasileiro.”

Hiraki também lembra que, enquanto não é contemplada com a carta de crédito, a pessoa tem custos. "Precisa morar em algum lugar, então naturalmente vai ter mais despesas fixas, eventualmente com um aluguel ou financiamento imobiliário. O perfil mais interessante para comprar um consórcio é aquele investidor que não tem custos para morar, seja porque possui uma casa própria ou porque mora com os pais, e também não tem necessidade de mudar rápido", diz ele.

"Outro perfil interessante é a pessoa que já tem metade do valor do imóvel. Ela pode acessar a compra de um consórcio e usar esse valor que tem reservado para tentar fazer o lance e adquirir a carta" afirma o especialista. "Nessa circunstância, é um ganho financeiro vantajoso porque a pessoa não vai pagar os juros de um financiamento comum sobre o saldo restante da compra do imóvel e consegue ter o acesso à carta de crédito para comprar o imóvel de imediato".

Fonte: Estadão

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