Modelo de casa: qual método de construção é o mais rentável e rápido?

Imagem

Uma das preocupações, além do custo e prazo de entrega, é se o projeto possui métodos de construção sustentáveis; veja qual modelo combina mais com seus sonhos

Quando se compra um terreno limpo, sem nenhuma construção, o espaço se torna uma tela de possibilidades de modelo de casa. Para iniciar o projeto da casa é preciso avaliar as opções de estrutura, seja de alvenaria, pré-fabricada ou uma cabana mais rústica com uso de containers. Conheça abaixo algumas tecnologias.

Material de isopor e resistentes

Um tipo de casa que tem se popularizado são os painéis monolíticos de poliestireno expandido – EPS ou isopor. Porém, não é algo tão novo assim.

O material surgiu por volta dos anos 80 na Itália e passou a ser usado como um método de garantir resistência de construções em regiões de alta propensão a terremotos e/ou que precisassem de isolamento térmico.

Segundo André Santos, fundador e CEO do Grupo Isorecort, esse sistema é disseminado nos Estados Unidos e em diferentes países da Europa e da Ásia. “No Brasil, ele está chegando em cada vez mais cidades”, diz.

Como alternativa aos métodos construtivos tradicionais de alvenaria, as casas em EPS (ou “isopor”, como é popularmente conhecido) já estão presentes em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. 
O material é mais resistente que construções de alvenaria convencional, pois consegue distribuir as cargas de modo mais eficiente, enquanto a alvenaria requer uma condição estrutural de reforço, como vigas e pilares.

“A construção em EPS tem uma distribuição tão eficiente que dispensa a utilização de colunas, por exemplo. É um tipo de construção muito confiável”, afirma André.

Para o empresário, o EPS deixa a obra mais limpa, sem descartes, sem gerar resíduos, como recortes de madeira, e pode ser utilizado tanto em áreas externas quanto internas – incluindo áreas molhadas como banheiros, lavabos, cozinhas e áreas de serviço. “Uma vez que o material não se deteriora na presença de água, é ‘imune’ a fungos e bactérias, evitando assim o surgimento de infiltrações e o aparecimento de bolor”, diz Santos. 

“Além disso, EPS reduz os custos. Se considerarmos uma casa construída no modo tradicional, de 100 m² que tenha custado R$300.000, se fosse de EPS o custo seria de, em média, R$210.000, aproximadamente 30% menos nos custos finais da obra”, afirma.

A empresa reforça que o mercado segue se modernizando, com lançamentos para melhorar a obra com novos painéis de fechamento, painéis de laje, painéis curvos e os exclusivos painéis de canto da empresa.

Light Steel Framing: metais ágeis

Considerado o método mais popular na região sul do Brasil, o modelo Steel Framing está se consolidando e expandindo para a região sudeste. O sistema de construção do modelo deriva do wood frame, utilizado no século 19, e é feito em larga escala desde 1945, conforme conta Thiago Domingues, engenheiro civil e CEO da Hengeplan. 

“Este sistema tem durabilidade de mais de 100 anos, mais flexibilidade, suporta terremotos. Antes o sistema usava apenas madeira, mas com a evolução dos materiais atuais, fez a durabilidade do imóvel ser centenária”, afirma. “A garantia dos materiais pode chegar a 25 anos.”

A vantagem do material, segundo o engenheiro, está relacionada ao conforto acústico e térmico do sistema de construção, 3x superior a uma casa de alvenaria convencional, já que o calor externo não passa pela parede. “O uso de isolantes térmicos na construção impede a irradiação do sol e do frio, visto que esse método é usado em países com temperaturas baixas intensas como EUA e Europa”, explica.

Outro ponto positivo é o selo verde do modelo LSF, por ter menos desperdício de materiais, menor consumo de cimento e gerar menos resíduos durante a obra.

Baseado em uma análise complementar, o uso desse tipo de estrutura torna o projeto muito mais eficiente e eficaz, com prazo de execução bem menor e custos mais controláveis. “Usando o mesmo exemplo, considerando que podem ocorrer imprevistos na obra, uma casa em torno de 100 m², desde a fundação, instalação de revestimentos, louças e metais, o prazo estimado seria de 5 meses”, afirma.

Nesse caso, não se considera a instalação e montagem da mobília e móveis planejados e os revestimentos são iguais aos de um imóvel de alvenaria.

A economia do projeto, segundo o CREA, pode ser de 5% a 7%. “No caso da casa, a estruturação é totalmente diferente, sem a necessidade de fundação profunda. Na maioria dos casos usamos uma base de radier”, diz o profissional.

Mesmo para prédios, o material suporta uma construção de quatro andares na norma brasileira (em outros países é possível ter até 6 andares neste método).

O projeto se adapta a qualquer tipo de terreno, sem restrições. De acordo com levantamento feito pelo Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA) e Associação Brasileira da Construção Metálica com a ABCEM, o crescimento deste método em 2019 foi 25,6% maior em comparação a 2018.

Containers: sustentáveis e eficientes

Um modelo novo que ainda caminha para se popularizar no Brasil, começa a ser visto com mais frequência nos últimos 10 anos, porém de forma discreta para construção de residências.

O destaque para o uso dos containers na construção de casas é o tempo da obra, a principal vantagem pela praticidade de modulação. “Se considerarmos modulação simples, que não envolva muitas estruturas complementares, podemos considerar com tranquilidade 3 meses para entrega.

O grau de complexidade do projeto é que vai definir isso, mas, de qualquer forma, é muito mais rápido do que uma construção convencional”, afirma a arquiteta Thaís Ruiz.

Existem variados tipos de containers disponíveis no mercado. Os tamanhos variam: vinte pés a quarenta pés, e com diferentes tipos e variação de altura. Containers frigoríficos, por exemplo, chegam a altura de 2,80m.

O estado em que o material se encontra pode fazer com que o valor varie até 100%.  “Um modelo básico de vinte pés, com altura de 2,60m, é possível encontrar por R$18 mil. Se a opção for por um de quarenta pés, com altura de 2,60m, o valor gira em torno de R$25 mil. Agora, se for por um modelo de quarenta pés, com altura de 2,80m, o preço gira em torno de R$30 mil”, afirma.

A profissional está em processo de construção de uma casa com o material. Os containers da obra foram comprados no Porto de Santos. “No porto, as empresas armazenam os containers que já não servem mais para transporte e buscam por compradores. Então, é necessário escolher a peça na base do gramipo”, diz Thais.

Segundo Thais, antigamente o material era muito mais barato comparado ao da construção de alvenaria, mas atualmente o custo fica próximo pela alta do aço. “A vantagem está no tempo de construção, em média 30% mais rápido, podendo chegar em até metade do tempo, em alguns casos.” 

O material é flexível para acabamento. Após a etapa de fechamento das paredes e do piso, ele possibilita total liberdade para uso de materiais de revestimento. “Geralmente usamos compensado naval e drywall no preparo para recebimento dos acabamentos. Aí o céu é o limite”, conta.

De acordo com Thais, o custo fica muito próximo das casas convencionais. Baseado no mesmo projeto de uma casa de 100 m², e supondo que a localização seja boa, sem muitos imprevistos, o mínimo cobrado seria de R$1.000,00 o m², no modelo básico sem revestimentos.

“Pronto para morar, é difícil dizer com certeza, já que o mercado apresenta uma variação imensa de produtos e categorias, mas um modelo de padrão médio seria aproximadamente R$2.000/m².” 

“Estou desenvolvendo um projeto de uma casa de contêiner de 91m². Para esse projeto, usei três modelos de vinte pés de 2,60m de altura e dois modelos de quarenta pés com 2,60m² de altura.

Mesmo assim, se comparada ao custo de construção de uma casa convencional de alvenaria, é possível reduzir entre 25% a 35% dos gastos”, afirma. 

Para projetos maiores, o material suporta cerca de 5 andares, empilhando os caixotes de aço, baseado em cálculos estruturais e apoios complementares, respeitando a regulamentação e código de obras do município. “A reflexão feita aqui é sobre a destinação de um elemento que já foi produzido, deixou seu impacto no planeta e seria descartado.

Nós reaproveitamos de maneira eficiente, o que evitará a utilização de novos recursos. Por isso, podemos afirmar que é sustentável”, diz Thais.

O container ainda é mais resistente que qualquer construção de modelo de casa de alvenaria convencional.

Com a manutenção correta, não existe validade na construção civil, como na utilização no transporte. “O aço pode durar gerações e gerações. Em termos de cuidados eu destacaria não usar o container que foi usado para transportar lixo tóxico, qualquer tipo de material contaminado. Por isso, é importante se atentar a procedência no momento da compra.”

De maneira geral, a profissional recomenda a utilização de materiais complementares para garantir qualidade térmica e acústica, como lã de rocha, forro de gesso, ventilação cruzada, telha sanduíche e o posicionamento correto no terreno. “A  insolação correta também ajudará muito”, completa.

Casas pré-fabricadas de madeira: cabanas chiques

O modelo que começou a se popularizar fortemente nos anos 80 ainda possui caráter de residência de veraneio e temporada de férias, mas vem crescendo.

“Quando começamos, tivemos que construir a própria fábrica de beneficiamento de madeira, em Santa Catarina, pela demanda”, afirma Luciano Santin, Diretor da Casas Condor, especialista em projetos de casas nesse segmento.

Assim como outros métodos, a vantagem dessa construção está baseada na assertividade e no tempo para entrega do projeto.

Já que o material vem pronto, o tempo da obra cai pela metade comparado ao método convencional de alvenaria. “Isso acaba trazendo economia nos custos da mão de obra, embora o material nobre (madeira) tenha um valor até maior do que o da alvenaria”, diz.

O mesmo projeto usado como referência, um imóvel térreo de 100 m² com três quartos, pode custar em média R$ 260 mil a R$ 320 mil e pode ser entregue entre quatro e cinco meses, a depender da disponibilidade da equipe.

“O valor também pode variar com a distância entre o local onde a casa será construída e o escritório da fábrica, já que um valor considerável será destinado à fiscalização feita pela equipe de engenharia e variações de acabamento”, explica Luciano.

A empresa também oferece projetos de alvenaria que custam em torno de R$ 310 mil a R$ 380 mil, 20% mais que um projeto de madeira e em média o dobro do tempo, de 10 a 12 meses.

Seria uma opção mais sustentável?

As práticas de Governança Ambiental Social e Corporativa (ESG, na sigla em inglês) são um conjunto de conceitos utilizados para medir as práticas de uma empresa.

O modelo de casa de madeiras pré-fabricadas garantem métricas de execução mais precisas e garantidas de boas práticas na construção, segundo informa Santin. 

“Neste momento que o  mundo está cada vez mais antenado no conceito ESG, nosso método construtivo sustentável garante o maior uso de material de fontes renováveis e praticamente sem produtos químicos na sua composição”, diz.

Segundo o representante, a alternativa mais sustentável é a madeira, pois ela não depende de mineração – como no caso do aço e do concreto – evitando assim impactos ambientais irreversíveis. “A madeira é uma matéria prima naturalmente renovável e, quando extraída de forma responsável, não traz danos ao meio ambiente”, diz.

Para contribuir para o não desmatamento impróprio e criminoso que devasta florestas pelo Brasil, o consumidor deve exigir o Documento de Origem Florestal (DOF), instituído pela Portaria nº 253 do Ministério do Meio Ambiente (MMA), que constitui licença obrigatória para o transporte e armazenamento de produtos florestais de origem nativa.

“É tão importante quanto solicitar o registro de pátio deste material no sistema do Ibama, que comprova a origem controlada do material fornecido”, afirma.

O isolamento desse tipo de imóvel é superior ao de alvenaria e o material é utilizado amplamente em países como EUA, Canadá e Europa em estações de esqui. 

"No inverno ele conserva melhor a temperatura e no verão mantém a casa mais fresca. Porém, as paredes únicas são inferiores, já que transmitem temperaturas diretamente por menor espessura e não há colchão de ar interno na parede ”, diz.

Cuidados com casas de madeira

“Os cupins não comem madeiras consideradas ‘amargas’, como a imbuia que utilizamos na estrutura. De qualquer forma, pode-se fazer a manutenção a cada três anos com cupinicida aplicado com bomba costal na estrutura do telhado para conservar”, conta.

Esse tipo de imóvel necessita de cuidados com verniz na parte externa a cada cinco anos. Na parte interna da casa é possível utilizar outras opções, como cedro, canelão, angelim, garapeira e itaúba, por exemplo.

Para ele, a madeira possui uma qualidade única: absorve e retém o CO2, diminuindo assim a emissão dos gases de efeito estufa.

Fonte: Estadão

Voltar