Na hora de buscar um imóvel, jovens buscam mobilidade, economia e praticidade

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Eles preferem imóveis em bairros próximos a estações de trem e metrô

Marina Nader Acquaviva, 26 anos, analista de marketing, mora ao lado da Estação Hebraica-Rebouças, da Linha 9-Esmeralda, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Antes, residiu, por alguns meses, na Rua Augusta, mas perdia muito tempo com a mobilidade do trabalho para casa. Ao saber de um quarto vago em Pinheiros, não pensou duas vezes em se mudar, onde está desde 2020. “Eu não gosto de carro, pelos custos e por um trauma que tenho. Nem vale a pena pelo trânsito. Ter uma linha ao lado de casa e ônibus que me conectam com tudo é uma vantagem enorme”, resume.

Outro benefício da localização é a disponibilidade de ciclofaixas e serviços de bikes de aluguel. Marina costumava usar bicicleta para ir ao trabalho – principalmente durante a pandemia – e para o lazer. “Eu assinei o serviço mensal de bike por aplicativo, já que era bem mais em conta para ir à empresa, duas vezes por semana”, conta.

Em geral, ela costuma pedalar na ciclovia, de 21,5 quilômetros, que passa ao lado da Linha 9-Esmeralda e se conecta a outros caminhos reservados para bikes, como a ciclovia ao longo da Avenida Faria Lima, a da Rebouças e a da Avenida Paulista.

“Como eu sou aficionada por esportes, gosto de visitar amigos, namorado e ir ao Parque do Ibirapuera tudo de bike”, diz Marina. Além dessa facilidade de morar perto de uma estação de transporte público, Marina, às vezes, também aproveita os serviços que são oferecidos dentro da Estação Hebraica-Rebouças. Por exemplo, pegar um café antes da entrevista que concedeu ao Mobilidade.

Facilidade de transporte público

Outro morador de Pinheiros é o analista de sistemas Bruno Sartorato, 31 anos, que há cinco vive no bairro. Ele nasceu em Osasco e, desde o início da vida profissional, almejava morar em uma região que proporcionasse maior qualidade de vida. “Eu dependia demais de uma condução para chegar à estação de trem, em Osasco”, diz. “Hoje, faço praticamente tudo a pé. Só quando preciso ir a outros pontos da cidade o ônibus ajuda muito.”

Para ele, conviver em um bairro que oferece um leque de opções de mobilidade e transporte público só tem vantagens. “Não dá vontade de ter carro nem usar aplicativo. Pelo preço atual, o ônibus é melhor”, afirma. Tanto Sartorato quanto Marina contam que o custo da locação é mais caro por estar mais próximo do metrô ou do trem; porém, o custo/benefício, “pensando, principalmente, em qualidade de vida”, é o que faz mais sentido.

Embora satisfeito em morar na região de Pinheiros, Sartorato investiu, recentemente, em um apartamento há 700 metros da Estação Butantã, bairro que, aliás, tem se valorizado muito, ultimamente. “Foi um sonho. Eu queria manter a mesma experiência de morar ao lado metrô. Achei a proposta muito interessante: um imóvel de 45 m², previsto para ficar pronto em 2023”, conta.

Valorização do Butantã

Dados do DataZap sugerem o perfil das pessoas que buscam imóveis nessas regiões. Segundo o levantamento, o Butantã, que abriga a estação da Linha 4-Amarela, apresentou valorização de 102%, no acumulado dos últimos três trimestres, maior alta de um bairro no entorno de transporte por trilhos. O valor do metro quadrado para locação na região saltou de R$ 40,70 para R$ 82,40. “Aqui, vemos que 60,07% das buscas são para imóveis de um dormitório, sendo que 31,10% desejam imóveis com vaga para carro”, diz Pedro Tenório, economista do DataZap, responsável pelo levantamento.

Já a Estação Hebraica-Rebouças, com o maior preço por metro quadrado para locação (R$ 94,8), acumula alta de 31,28%. “Cerca de 63% das pessoas procuram imóveis com dois dormitórios, e 45% buscam por uma vaga na garagem”, acrescenta.

Quando colocamos uma lupa sobre a procura por imóveis à venda, 62,28% das pesquisas feitas no entorno da Estação Cidade Jardim – com maior preço por m², R$ 20.467 – é igual ao da Hebraica-Rebouças, com valor em R$16.625. Em geral, são imóveis que possuem três a quatro dormitórios e mais de três de vagas de garagem. “Isso sugere que o principal público dessa região é de famílias que utilizam o carro particular para se locomover”, afirma Tenório.

O Butantã segue uma ordem parecida em buscas por locação. Cerca de 40% das pesquisas são por apartamentos de um dormitório; desses, 29,43% sem vaga de garagem e apenas 10% com uma vaga para carro. Os números apontam para um perfil de imóveis com menos dormitórios e menos vagas, sugerindo um público solteiro – ou, pelo menos, sem filhos –, menos dependente do carro particular. É importante lembrar que a região é vizinha à Universidade de São Paulo, o que demanda imóveis para estudantes.

Fonte: Estadão

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